Spotify fecha acordo para vender remixes com IA e pagar royalties
O Spotify quer transformar os remixes feitos por fãs em mais uma fonte de receita
Por Zé Elias Mendes21 out 2026 · 2 min de leitura

O Spotify anunciou na terça-feira (20) um acordo com a distribuidora musical Believe para sua futura ferramenta de covers e remixes criados com inteligência artificial. A parceria permitirá que artistas e selos participantes da Believe e da TuneCore recebam royalties quando versões de suas músicas forem reproduzidas na plataforma.
O recurso será vendido como um adicional pago do Spotify Premium, mas ainda não tem preço nem data de lançamento.
Segundo a Music Business Worldwide, o acordo foi anunciado na terça-feira (20) e vale para artistas e selos participantes da Believe e da TuneCore, a plataforma do grupo para quem lança música por conta própria.
A Believe se junta a uma fila que já tinha a Universal Music Group, em maio, a Merlin, em 4 de agosto, e a Kobalt, em 13 de agosto. Sony Music Group e Warner Music Group ainda não anunciaram seus próprios acordos para a ferramenta.
Como o dinheiro circula
De acordo com as empresas, o recurso foi desenhado para remixes e covers, e não para criar obras inteiramente novas. Quando um remix for tocado no Spotify, os artistas e detentores de direitos da faixa original recebem royalties.
O produto será oferecido como um adicional pago para assinantes Premium. Na descrição das empresas, isso cria uma fonte de receita extra, somada ao que artistas e compositores já recebem na plataforma.
O argumento comercial é transformar em produto licenciado uma prática que já existe.
Believe e Spotify dizem que remixes feitos por fãs são comuns e muitas vezes não remuneram os artistas, e que no Spotify cada remix aponta de volta para a faixa e o artista originais.
Consentimento em duas etapas
A participação será voluntária. Believe e TuneCore vão aplicar um processo em duas etapas: primeiro, o artista decide se quer ser considerado para programas ligados a IA; quem aceita recebe então a proposta específica do Spotify e escolhe se entra ou não.
O fundador e CEO da Believe, Denis Ladegaillerie, resumiu a regra da casa em entrevista anterior à MBW: "O artista precisa consentir primeiro, ponto".
O pano de fundo
O anúncio veio no mesmo dia em que o Spotify informou ter retirado mais de 50 milhões de faixas classificadas como "slop e spam" de suas recomendações neste ano.
A Believe também tem acordo global com a plataforma de música com IA Suno, assinado em 8 de setembro. Em abril, a distribuidora havia passado a bloquear faixas geradas em plataformas sem licença, categoria em que incluía a Suno.
Segundo a MBW, o Spotify ainda não anunciou preço nem data de lançamento da ferramenta.
Na teleconferência de resultados do segundo trimestre, em 4 de agosto, o co-CEO Gustav Söderström disse que o próximo passo seria uma prévia de pesquisa para parte dos usuários e que a empresa não precisa de acordo com todas as majors para colocar o produto no ar.
Fonte: Music Business Worldwide


