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sábado, 31 out 2026
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Instagram oferece até US$ 500 mil a youtubers por vídeos longos

Meta quer atrair criadores para o Features sem exigir exclusividade e ainda não definiu modelo permanente de remuneração

Por 31 out 2026 · 7 min de leitura

Instagram oferece até US$ 500 mil a youtubers por vídeos longos
foto: reprodução

O Instagram está oferecendo entre US$ 50 mil e US$ 500 mil a criadores selecionados do YouTube para publicarem vídeos no Features, novo formato horizontal de longa duração da plataforma. A iniciativa faz parte da estratégia da Meta para disputar com o YouTube a atenção do público que consome vídeos extensos, inclusive na televisão.

Segundo apuração do Business Insider, alguns criadores receberam propostas de seis dígitos para disponibilizar seus conteúdos também no Instagram. A Meta confirmou que está financiando diretamente produções para o Features, mas não revelou os valores individuais nem as condições dos contratos.

A principal diferença em relação a outros acordos de entretenimento é a ausência de exclusividade. Os criadores procurados pelo Instagram poderiam continuar publicando normalmente no YouTube, desde que disponibilizassem os mesmos vídeos no Features no dia do lançamento.

Instagram oferece até US$ 500 mil a criadores

As propostas relatadas pelo Business Insider começam em US$ 50 mil e podem chegar a US$ 500 mil, dependendo do criador e das condições negociadas.

A Meta confirmou a existência de acordos para financiar diretamente conteúdo do Features, mas informou que os detalhes comerciais são confidenciais.

Não está claro se os valores representam pagamentos por vídeo, remuneração mensal ou contratos fechados para determinado conjunto de publicações.

A empresa também não revelou quantos criadores foram procurados, quantos aceitaram as propostas ou o investimento total destinado à iniciativa.

Portanto, os US$ 500 mil não devem ser interpretados como um pagamento oferecido a qualquer usuário que publique vídeos longos no Instagram.

Os acordos são direcionados a profissionais selecionados, especialmente criadores que já possuem audiência consolidada no YouTube.

Acordos não exigem exclusividade com o Instagram

Segundo pessoas familiarizadas com as negociações ouvidas pelo Business Insider, a principal exigência é publicar os vídeos no Features no mesmo dia em que forem lançados no YouTube.

Isso significa que o Instagram não estaria tentando retirar imediatamente esses conteúdos da plataforma concorrente.

A estratégia é diferente de iniciativas de empresas de entretenimento que contratam criadores para desenvolver produções exclusivas, buscando atrair o público para seus próprios serviços.

Para o Instagram, a publicação simultânea permite aumentar a oferta de vídeos longos sem obrigar os participantes a abandonar uma fonte de audiência e receita já estabelecida.

Para os criadores, o modelo oferece a possibilidade de receber um pagamento adicional por conteúdos que já seriam produzidos para outra plataforma.

Esse arranjo, entretanto, está associado aos acordos relatados pela imprensa. A Meta não divulgou um contrato-padrão nem confirmou que todos os participantes estejam sujeitos às mesmas condições.

O que é o Features e como funciona?

Anunciado em 26 de outubro, o Features é um novo formato de vídeos horizontais de até 90 minutos dentro do Instagram.

A proposta é ampliar as possibilidades de publicação para conteúdos que normalmente exigem mais tempo, como podcasts, entrevistas, vídeos documentais, programas de entretenimento e especiais de comédia.

O formato começou a ser testado com criadores no Brasil e passou a alcançar participantes selecionados nos Estados Unidos em 26 de outubro.

O Instagram ainda não anunciou quando o recurso estará disponível para todos os usuários.

A iniciativa representa uma mudança de posicionamento da plataforma, historicamente associada a fotografias e vídeos curtos.

Adam Mosseri, responsável pelo Instagram, reconheceu no anúncio que havia resistido durante anos à ampliação do vídeo de longa duração.

Uma de suas preocupações era que conteúdos extensos reduzissem interações sociais, como compartilhamentos, mensagens e conversas entre usuários.

Agora, a empresa pretende fazer com que vídeos curtos e longos funcionem de maneira complementar, mantendo o Reels como parte central da experiência.

Reels poderão levar o público aos vídeos completos

Uma das ferramentas em desenvolvimento é o Clips as Reels, que permite transformar trechos de vídeos longos em Reels vinculados à publicação completa.

O recurso possibilita conectar até oito vídeos curtos a um mesmo conteúdo do Features.

A proposta é utilizar o alcance dos Reels como mecanismo de descoberta, oferecendo ao usuário a opção de continuar assistindo à produção completa sem sair do Instagram.

Os trechos também poderão aparecer em áreas de recomendação e descoberta da plataforma, incluindo a aba Explorar.

O recurso começou a ser testado no Brasil e está sendo ampliado gradualmente para criadores selecionados nos Estados Unidos.

A integração é um dos principais elementos da estratégia da Meta: aproveitar a audiência dos vídeos curtos para desenvolver um consumo recorrente de produções mais extensas.

Meta quer disputar a audiência do YouTube na televisão

O investimento no Features está relacionado à expansão do Instagram para aparelhos de televisão.

A empresa lançou seu aplicativo para TVs no fim de 2025, inicialmente com foco na reprodução de Reels. Desde então, ampliou sua presença para diferentes dispositivos, incluindo plataformas de smart TVs e Apple TV.

Tessa Lyons, vice-presidente de produto do Instagram, explicou que a companhia identificou o hábito de pessoas assistirem juntas a vídeos do Reels na sala de casa.

Segundo a executiva, uma experiência de televisão precisa oferecer mais do que conteúdos de curta duração.

A introdução de vídeos de até 90 minutos permite ao Instagram ampliar sua oferta para formatos mais próximos daqueles que já fazem parte do consumo do YouTube na televisão.

Essa mudança também cria novas possibilidades comerciais, especialmente para publicidade associada a produções longas.

A empresa, contudo, ainda não apresentou dados que permitam comparar a audiência do Features com a do YouTube em televisores.

O lançamento permanece em fase de testes, e o Instagram reconhece que o desenvolvimento de uma experiência adequada à TV será gradual.

Criadores ainda não têm um modelo permanente de remuneração

Apesar dos valores oferecidos a alguns youtubers, o Instagram ainda não anunciou um programa geral de monetização para o Features.

A Meta informou que estuda diferentes possibilidades de remuneração, incluindo parcerias com marcas, pagamentos realizados por fãs e incentivos oferecidos pela própria plataforma, eventualmente associados ao desempenho dos conteúdos.

Em 28 de outubro, Adam Mosseri comentou preocupações apresentadas por criadores sobre a viabilidade econômica da produção de vídeos longos.

O executivo reconheceu a importância da remuneração e afirmou que a empresa está avaliando alternativas para oferecer retorno financeiro aos participantes.

Esse ponto representa uma diferença importante em relação ao YouTube.

Por meio do Programa de Parcerias do YouTube, criadores elegíveis podem receber uma parcela da receita publicitária gerada por seus vídeos, dentro das regras da plataforma.

O Features ainda não possui um mecanismo equivalente anunciado publicamente.

Os contratos de até US$ 500 mil relatados pela imprensa representam, portanto, incentivos individuais e não uma política universal de remuneração.

Instagram volta a apostar em vídeos longos após o IGTV

O Features também marca uma nova tentativa do Instagram de desenvolver um espaço para conteúdos mais extensos.

Em 2018, a plataforma lançou o IGTV, iniciativa que procurava ampliar sua presença no mercado de vídeos e oferecer alternativas ao consumo tradicional do YouTube.

O produto acabou sendo descontinuado em 2022, depois de mudanças na estratégia de vídeo da empresa.

Desde então, o Instagram concentrou grande parte de seus investimentos em Reels, formato de vídeos curtos que se tornou um dos principais motores de crescimento e engajamento da plataforma.

A nova aposta parte de uma abordagem diferente.

Em vez de criar um espaço completamente separado para vídeos longos, a Meta procura conectar o Features às ferramentas de descoberta que já existem no Instagram.

A integração com Reels, a distribuição em dispositivos móveis e a expansão para televisores são partes dessa estratégia.

O que a investida significa para a economia dos criadores?

A proposta da Meta demonstra que o mercado de influência digital está ampliando a disputa para além de visualizações e alcance nas redes sociais.

Ao oferecer pagamentos elevados a criadores consolidados, o Instagram procura garantir uma oferta inicial de conteúdos capazes de atrair público para um formato ainda pouco conhecido.

Para profissionais do YouTube, a possibilidade de publicar o mesmo vídeo em duas plataformas sem exclusividade pode representar uma nova fonte de receita.

Há, porém, diferenças entre receber um pagamento de incentivo e construir um negócio sustentável de produção audiovisual.

Vídeos longos podem exigir equipes, equipamentos, edição e custos de produção superiores aos de publicações curtas.

Sem um modelo permanente de monetização, ainda não é possível determinar se o Features conseguirá oferecer aos criadores uma alternativa economicamente comparável ao YouTube.

Também não há garantia de que a distribuição dos conteúdos no Instagram produzirá audiência equivalente à obtida pelos mesmos profissionais na plataforma concorrente.

Por enquanto, o investimento anunciado funciona como uma estratégia de atração de talentos durante a fase inicial do produto.

A continuidade dessa iniciativa dependerá tanto da adesão do público aos vídeos longos quanto da definição de mecanismos que permitam remunerar os criadores depois do encerramento dos acordos individuais.

Fontes: Business Insider — Instagram is trying to woo YouTube creators with six-figure checks; Tubefilter — Instagram is offering YouTubers up to $500,000; TechCrunch — Instagram amplia vídeos para até 90 minutos; Social Media Today — testes do Features nos Estados Unidos.


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