Estúdio banca programas no YouTube e divide ganhos com creators
Lighthouse Studios financia produção, recupera investimento com publicidade e prevê participação dos criadores nas receitas seguintes
Por Redação6 nov 2026 · 5 min de leitura

A Lighthouse Studios, empresa ligada ao Whalar Group, está financiando redes de programas com formato de televisão para distribuição no YouTube. O modelo prevê parcerias societárias com criadores de conteúdo que já possuem audiência, combinando investimento em produção, participação nos resultados e exploração comercial de formatos.
A primeira aposta é a Lyrical Lemonade TV (LLTV), desenvolvida em parceria com a marca de entretenimento Lyrical Lemonade e o diretor Cole Bennett. Segundo o CEO da Lighthouse Studios, Akshay Mehta, a rede já produziu aproximadamente 110 episódios distribuídos por oito programas.
Em entrevista ao Net Influencer, publicada em 4 de novembro, Mehta detalhou como a operação pretende transformar canais digitais em negócios estruturados de entretenimento, com programação recorrente e diferentes fontes de receita.
Estúdio paga a produção antes de buscar anunciantes
A Lighthouse Studios assume antecipadamente os custos de produção dos programas da Lyrical Lemonade TV. Isso inclui equipes de gravação, edição, cenários, iluminação, figurinos e a preparação de versões curtas para outras redes sociais.
O estúdio também garante um volume de episódios equivalente, segundo Mehta, a aproximadamente duas temporadas de cada projeto.
Os criadores responsáveis pela apresentação recebem cachês previstos nos respectivos orçamentos.
A participação nos resultados funciona em outra etapa: depois que a Lighthouse recupera seu investimento com receitas publicitárias e contratos comerciais, os creators passam a receber uma parcela dos ganhos.
Mehta descreve essa participação como generosa, mas não revela percentuais, valores investidos ou prazos para recuperação do capital.
A estrutura difere de um contrato convencional de produção, no qual o criador recebe apenas pelo serviço prestado. Aqui, os envolvidos podem participar da exploração comercial de formatos que ajudam a desenvolver.
Lyrical Lemonade TV reúne cerca de 110 episódios produzidos
A Lighthouse Studios foi apresentada oficialmente durante o SXSW de 2026, nos Estados Unidos. Sua primeira rede, Lyrical Lemonade TV, começou a ser estruturada em janeiro, com publicações iniciadas em maio.
Desde então, aproximadamente 110 episódios foram produzidos em oito programas ativos, segundo o executivo.
A programação reúne apresentações musicais, sessões de freestyle, entrevistas longas, programas de viagem, formatos explicativos, humor noturno, bastidores e documentários.
A ideia é organizar conteúdos que se complementem, em vez de reunir programas semelhantes competindo pela mesma audiência dentro do canal.
O modelo recupera características da televisão tradicional, como grade de programação, apresentadores recorrentes e identificação entre público e programas, mas utiliza o YouTube como principal meio de distribuição.
Creators podem participar de versões internacionais e produtos
A negociação com os apresentadores também prevê possibilidades de remuneração além dos episódios originais.
Se um programa ganhar uma versão em espanhol ou alemão, por exemplo, o criador poderá continuar participando de suas receitas. O mesmo vale para produtos licenciados e outras atividades comerciais relacionadas ao formato.
Segundo Mehta, os contratos não exigem exclusividade dos participantes.
Um apresentador pode aceitar projetos em outras empresas e continuar vinculado à produção como produtor, caso o programa permaneça no ar.
A Lighthouse não informou se todas essas condições são idênticas para cada contrato. Em entrevista ao Digiday, o executivo explicou que os acordos variam conforme os projetos e os parceiros envolvidos.
A diferença é relevante porque a propriedade intelectual se tornou uma das principais questões comerciais da economia dos criadores: participar de um programa não significa necessariamente ser proprietário do formato.
Primeiras temporadas foram produzidas sem patrocínio
Outro aspecto da estratégia é a decisão de não depender de marcas para financiar o início dos programas.
Segundo Mehta, a Lighthouse Studios não fechou acordos de patrocínio para as primeiras temporadas de seus formatos.
A empresa prefere financiar a produção antecipadamente, observar o desempenho dos programas e depois apresentar oportunidades comerciais aos anunciantes.
Um dos modelos de venda previstos é oferecer campanhas com 12 episódios distribuídos ao longo de seis meses.
Para as marcas, a proposta é reduzir a incerteza sobre a entrega, pois o financiamento e a estrutura de produção já estão assegurados.
Isso não significa que o retorno financeiro esteja garantido. O sucesso comercial ainda depende da audiência, das negociações publicitárias e dos custos envolvidos.
Menos episódios por semana para formar hábito de audiência
A Lighthouse também alterou o ritmo de publicação da Lyrical Lemonade TV.
Inicialmente, os programas tinham uma frequência semanal. Agora, os episódios de cada formato são lançados a cada duas semanas.
Segundo o CEO, o intervalo permite dedicar mais tempo à gravação, aos ensaios e à preparação de novos conteúdos, além de estabelecer uma rotina previsível para os espectadores.
A operação prioriza vídeos longos em formato horizontal, com resolução 4K, mas também prepara cortes para Instagram, TikTok e X.
A intenção não é abandonar as outras redes, e sim utilizá-las como canais de divulgação de uma programação principal hospedada no YouTube.
Próximo passo é abrir uma segunda rede
Para o segundo ano de operação, a Lighthouse Studios pretende desenvolver outra rede de programas, voltada a um gênero diferente daquele explorado pela Lyrical Lemonade TV.
Mehta também prevê ampliar as atividades presenciais, com eventos e a possibilidade de uma convenção ligada à rede.
Ainda não foram divulgados investimento previsto, parceiros ou cronograma de lançamento dessa segunda operação.
O projeto evidencia uma transformação no mercado de creators: em vez de depender apenas da publicação de vídeos individuais e de patrocínios pontuais, os criadores passam a participar de estruturas que combinam produção audiovisual, desenvolvimento de formatos e exploração de propriedade intelectual.
No caso da Lighthouse, essa ambição já se materializou em uma rede com programação própria. A capacidade de transformar audiência em receita recorrente ainda dependerá do desempenho comercial dos programas.
Fontes: Net Influencer — Lighthouse Studios Builds TV-Style Networks on YouTube as Joint Ventures With Creators, de Cecilia Carloni, publicado em 4/11/2026; Digiday — As creators increasingly move into Hollywood, deal terms can put their IP at risk.


