YouTube testa bônus mensal para criadores de Shorts no Brasil
Postar com frequência virou quase uma obrigação para criadores, agora o YouTube quer transformar essa constância em remuneração
Por Zé Elias Mendes25 out 2026 · 3 min de leitura

O YouTube começou a testar um programa de remuneração que oferece pagamentos mensais a criadores que publicam Shorts com regularidade, além de bônus adicionais conforme o desempenho dos vídeos.
O Brasil está entre os seis países escolhidos para o projeto-piloto, restrito a canais convidados que já integram o Programa de Parcerias da plataforma.
A iniciativa amplia as possibilidades de monetização em um momento em que o YouTube prepara mudanças nas regras de divisão de receita com criadores a partir de fevereiro de 2027.
Segundo o Tubefilter, o programa foi apresentado em um vídeo do Creator Insider por Rene Ritchie, responsável pelo relacionamento com criadores no YouTube.
A proposta é recompensar canais que mantêm um calendário consistente de publicações, oferecendo também ganhos adicionais conforme a audiência alcançada.
O teste começou em seis mercados: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Japão e Coreia do Sul.
Não há inscrições abertas. O próprio YouTube seleciona os participantes, que recebem um convite por e-mail ou uma notificação no YouTube Studio. As metas, os valores e a duração do benefício podem variar conforme o canal.
Como o dinheiro é calculado
O programa combina duas formas de remuneração. A primeira é um pagamento mínimo mensal, condicionado à publicação de uma quantidade determinada de Shorts públicos dentro do prazo estabelecido no convite.
A segunda é um bônus adicional calculado conforme o número de visualizações engajadas válidas registradas pelo canal naquele mês. Essa parcela é variável e não tem pagamento garantido.
As metas de publicação, os valores oferecidos e a duração do programa podem variar entre os participantes. O YouTube não divulgou uma tabela geral de remuneração.
Para receber os valores, o criador precisa cumprir as condições do convite, manter a monetização de Shorts ativada e continuar elegível ao Programa de Parcerias.
A plataforma considera apenas visualizações engajadas orgânicas para o cálculo do bônus variável. Visualizações geradas por anúncios não entram nessa conta.
Os pagamentos são incorporados aos ganhos mensais do canal e seguem o calendário habitual do AdSense para YouTube.
Um modelo que o Instagram já abandonou
A remuneração por bônus não é novidade no mercado de vídeos curtos. A Meta já utilizou o programa Reels Play para incentivar a produção de conteúdo no Instagram, mas encerrou a iniciativa.
Agora, o YouTube testa uma modalidade semelhante, com uma diferença importante: além de considerar o desempenho dos vídeos, oferece uma remuneração mínima aos participantes que cumprirem metas individuais de publicação.
Ainda não há informações sobre o número de criadores envolvidos, o investimento previsto ou a possibilidade de expansão permanente do programa.
Regras de monetização mudam em 2027
O teste acontece enquanto o YouTube prepara alterações no Programa de Parcerias, previstas para 1º de fevereiro de 2027.
Pelas novas regras, canais precisarão alcançar 10 milhões de visualizações qualificadas de Shorts nos últimos 90 dias para ter acesso à divisão de receita de anúncios e assinaturas nesse formato.
Quem ficar abaixo desse limite poderá continuar no Programa de Parcerias e receber por conteúdos longos, além de participar de outras modalidades de monetização para as quais seja elegível.
Para novos canais que buscam entrar no programa de divisão de receitas publicitárias, o YouTube também elevará os requisitos para 8 mil horas de exibição qualificadas em 365 dias ou 20 milhões de visualizações qualificadas de Shorts em 90 dias.
Nesse contexto, os bônus representam uma tentativa de criar fontes adicionais de remuneração que não dependam exclusivamente dos anúncios exibidos nos vídeos.
Quem poderá receber
Por enquanto, a participação continua restrita aos canais escolhidos pelo YouTube. Os criadores podem verificar eventuais convites por e-mail ou na área de monetização do YouTube Studio.
A empresa afirma que pretende ampliar as oportunidades de bônus ao longo de 2027, mas não anunciou quando o programa poderá ser disponibilizado a um número maior de canais brasileiros.
O teste também não permite concluir quanto os criadores poderão ganhar. O pagamento depende das condições específicas de cada convite, da regularidade das publicações e, no caso do bônus adicional, do desempenho dos vídeos.
Fontes: Tubefilter; YouTube; YouTube Brasil


