Netflix demite chefe de filmes em meio a crise e troca de comando
Dan Lin deixa a empresa após cortes de 6% na força de trabalho; Peter Rice assume a presidência de conteúdo em meio à pressão por resultados
Por Zé Elias Mendes20 out 2026 · 3 min de leitura

A Netflix ampliou sua reestruturação executiva com a demissão de Dan Lin, responsável pela divisão de filmes da plataforma.
A saída, confirmada na segunda-feira (19), acontece poucos dias depois de a empresa anunciar cortes de aproximadamente 6% de sua força de trabalho e mudanças na liderança de conteúdo, agora sob o comando de Peter Rice.
Segundo a Variety, a reformulação ocorre em meio à queda no engajamento dos assinantes e à pressão de investidores, às vésperas da divulgação dos resultados trimestrais da companhia, prevista para esta terça-feira (20).
A revista afirma que foi o co-CEO Ted Sarandos quem ligou para Lin na sexta-feira para comunicar a demissão, de acordo com três fontes ouvidas.
A saída veio um dia depois do anúncio envolvendo Bela Bajaria, diretora de conteúdo, uma das atingidas pela redução de 6% da força de trabalho na semana passada, ao lado de Doug Belgrad, braço direito de Lin.
"Todo mundo é dano colateral", resumiu à Variety uma pessoa de dentro da empresa.
Ações em baixa, engajamento em queda
De acordo com a reportagem, a liderança criativa da Netflix está sendo refeita em meio ao mau desempenho das ações e à queda no engajamento dos usuários. Peter Rice, executivo veterano de cinema e TV, vai presidir e sacudir a área de conteúdo.
O curioso é que Lin cumpriu as metas que recebeu: segurar gastos e fazer filmes que agradassem aos assinantes.
As versões sobre a demissão variam. Parte das fontes diz que Sarandos queria vender a Wall Street uma história de crescimento antes do balanço.
Outra parte afirma que Lin não encontrou rápido o bastante o ponto de equilíbrio entre títulos de streaming com fôlego e as experiências de lançamento em salas. Ele saiu na metade de um contrato de cinco anos.
A marca mais visível da gestão de Lin, segundo a Variety, foi convencer Sarandos de que propriedades intelectuais voltadas à família deveriam ganhar janelas exclusivas e robustas nos cinemas antes de chegar ao streaming.
O teste vem no ano que vem, com "Narnia: The Magician's Nephew", de Greta Gerwig, e "Charlie and the Chocolate Factory".
"Narnia" é descrito pela revista como uma aposta de US$ 250 milhões com estreia primeiro nas salas.
Quatro fontes contaram à Variety que Lin e Gerwig se desentenderam numa chamada de vídeo sobre o projeto no início do ano, e que ele foi afastado do filme depois disso, com Belgrad assumindo a supervisão. Nenhuma das fontes, porém, ligou o episódio à demissão.
A reportagem também menciona relatos de atrito entre Lin e Ben Affleck sobre o uso da InterPositive, plataforma de inteligência artificial do diretor.
Na reorganização interna, Lin agrupou seus executivos por especialidade de gênero, e não mais pela faixa de orçamento dos projetos.
A conversa já gira em torno do substituto. Sobre a hipótese de a dupla Mike De Luca e Pam Abdy assumir a área, uma fonte bem posicionada disse à Variety que isso provavelmente vai acontecer.
Antes da Netflix, Lin comandava a própria produtora, a Rideback. O próximo capítulo é o balanço desta terça.
Fonte: Variety


