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sexta, 30 out 2026
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Produtor de Chris Brown cobra US$ 1,25 milhão da Sony na Justiça

Royalties viraram ativos negociáveis, mas vender o direito de recebê-los nem sempre significa conseguir transferir os pagamentos

Por 26 out 2026 · 3 min de leitura

Produtor de Chris Brown cobra US$ 1,25 milhão da Sony na Justiça
foto: divulgação

Ishmael Sadiq Montague, produtor musical conhecido como ISM e responsável por parte da produção de “Party”, de Chris Brown, entrou com uma ação de pelo menos US$ 1,247 milhão contra a Sony Music Entertainment.

Protocolado em 16 de outubro na Justiça federal de Nova York, o processo acusa a gravadora de dificultar a transferência de royalties vendidos a outra empresa e de pagar ao produtor apenas metade da taxa que ele afirma ter direito a receber.

A Sony contesta sua responsabilidade, segundo a documentação citada pelo Music Business Worldwide.

Conhecido profissionalmente como ISM, Montague coproduziu “Party”, lançada em dezembro de 2016 pela RCA Records, gravadora da Sony Music. A faixa de Chris Brown tem participações de Usher e Gucci Mane e integra o álbum Heartbreak on a Full Moon, de 2017.

Na ação, apresentada sem representação por advogado, o produtor sustenta que a Sony dificultou uma negociação de direitos com a Xposure Music Holdings e descumpriu as condições financeiras de um acordo firmado em 2016.

O contrato e a venda dos royalties

Segundo o processo, o contrato de produção de “Party”, firmado em novembro de 2016 com a Chris Brown Entertainment, previa uma taxa de royalties de 3% para os produtores.

Após a divisão com o coprodutor A1, Montague teria direito a 1,5% sobre a base de cálculo prevista no acordo. Ele afirma, porém, que a Sony aplicou uma taxa de apenas 0,75%, correspondente à metade do percentual devido.

Em 25 de junho de 2026, o produtor acertou a venda de seus interesses em royalties sobre diferentes gravações, incluindo “Party”, à Xposure Music Holdings.

Pelo contrato, os pagamentos realizados a partir de 1º de setembro deveriam ser direcionados à compradora.

Montague alega que a Sony atrasou por aproximadamente seis semanas os procedimentos necessários à transferência, prejudicando a operação comercial.

A cláusula que levou ao impasse

A divergência envolveu uma carta de direcionamento de pagamentos, documento utilizado para informar à gravadora quem deve receber os royalties depois de uma transferência de direitos.

Segundo Montague, o formulário inicialmente exigido pela Sony continha uma cláusula pela qual o beneficiário reconheceria não ter direito de auditar as contas da empresa e de suas afiliadas.

O produtor afirma ter contestado a exigência durante semanas. Conforme o processo, uma versão alternativa do formulário, sem a cláusula questionada, foi enviada em 25 de agosto e assinada quatro dias depois.

Na interpretação de Montague, a exigência funcionou como um obstáculo injustificado à operação. A alegação ainda depende de análise judicial.

Produtor também questiona pagamentos anteriores

Além da transferência dos direitos, Montague contesta o cálculo dos royalties que recebeu pela gravação.

Segundo a ação, uma revisão realizada por terceiros identificou, em julho de 2026, uma possível diferença entre a taxa aplicada pela Sony e a prevista em contrato.

O produtor pede uma prestação de contas completa e uma auditoria supervisionada pela Justiça, às custas da gravadora.

A petição não quantifica o valor total dos royalties supostamente pagos a menos. O pedido de indenização de pelo menos US$ 1,247 milhão diz respeito aos danos que Montague afirma ter sofrido, e não a uma soma demonstrada de pagamentos pendentes.

Sony contesta responsabilidade

A ação reúne sete alegações jurídicas, incluindo fraude e interferência na venda dos direitos de royalties.

De acordo com a petição, o departamento jurídico da Sony negou responsabilidade em 15 de outubro, um dia antes do ajuizamento do processo, argumentando que não havia contrato direto entre a gravadora e Montague.

O Music Business Worldwide procurou a Sony Music para comentar as acusações. Na reportagem publicada em 23 de outubro, não havia resposta da empresa registrada.

Até o momento descrito pelas fontes consultadas, não existe decisão judicial que reconheça as irregularidades alegadas pelo produtor.

Sony enfrentou outras ações sobre royalties em 2026

As ações envolvendo Jermaine Dupri e a banda Lit tiveram desfechos negociados, sem divulgação pública de seus termos. Esses acordos não permitem concluir que a Sony tenha reconhecido irregularidades nos pagamentos.

O novo processo também ainda não permite determinar se as alegações de Montague serão acolhidas pela Justiça.

Fonte: Music Business Worldwide


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