Universal Music cresce 11,7% e fatura € 3,4 bilhões no trimestre
Assinaturas avançam 19,2%, mas crescimento cai para 9,5% sem a aquisição da Downtown
Por Redação31 out 2026 · 8 min de leitura

A Universal Music Group (UMG) registrou receita de € 3,394 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 11,7% em câmbio constante em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado, divulgado na quinta-feira (29), foi impulsionado principalmente pelo streaming por assinatura, pelas vendas de música em formatos físicos e pela consolidação da Downtown Music Holdings, adquirida em fevereiro.
A receita de assinaturas da divisão de música gravada avançou 19,2%, alcançando € 1,422 bilhão. Excluindo a contribuição da Downtown, porém, o crescimento foi de 9,5%.
A diferença mostra o peso da aquisição nos resultados da maior companhia de música gravada do mundo. Sem a Downtown, a receita total da Universal teria crescido 5,3% em câmbio constante, menos da metade da taxa consolidada.
Assinaturas de streaming crescem 19,2%
O streaming pago foi um dos principais motores do resultado trimestral da Universal Music.
A receita de assinaturas na divisão de música gravada chegou a € 1,422 bilhão, crescimento de 19,2% em câmbio constante.
Segundo a companhia, o desempenho foi beneficiado por reajustes nos valores pagos pelas plataformas de streaming às gravadoras, conhecidos como preços de atacado, além do crescimento contínuo das bases de assinantes.
Esses reajustes fazem parte de acordos comerciais que a Universal associa à sua estratégia de Streaming 2.0, voltada a ampliar a monetização da música gravada.
A empresa também afirmou que as pressões sobre sua participação de mercado, observadas no primeiro semestre, diminuíram no terceiro trimestre.
Desconsiderando a contribuição da Downtown, a receita de assinaturas cresceu 9,5%. O resultado superou a expectativa de 8,2% mencionada por analistas do ING antes da divulgação do balanço, segundo a Reuters.
A distinção é importante porque o crescimento consolidado inclui receitas adicionadas à Universal por meio da aquisição de outra empresa.
Quanto a Universal Music faturou no trimestre?
O faturamento total passou de € 3,021 bilhões no terceiro trimestre de 2025 para € 3,394 bilhões entre julho e setembro de 2026.
O avanço nominal foi de 12,3%. Considerando taxas de câmbio constantes, o crescimento ficou em 11,7%.
| Indicador | 3º tri/2025 | 3º tri/2026 |
|---|---|---|
| Receita total | € 3,021 bilhões | € 3,394 bilhões |
| EBITDA ajustado | € 664 milhões | € 729 milhões |
| Margem EBITDA ajustada | 22,0% | 21,5% |
Fonte: Universal Music Group, resultados do terceiro trimestre de 2026.
O EBITDA ajustado, indicador utilizado pela companhia para acompanhar seu desempenho operacional antes de determinados custos e ajustes contábeis, chegou a € 729 milhões.
O crescimento foi de 9% em câmbio constante, mas a margem consolidada recuou de 22% para 21,5% na comparação anual.
A Universal atribui parte dessa diferença à inclusão da Downtown, cuja margem operacional ajustada é inferior à das atividades que já integravam o grupo.
Sem a empresa adquirida, a margem EBITDA ajustada da Universal teria chegado a 22,4%, expansão de 0,4 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025.
Downtown acrescenta € 195 milhões à receita
Adquirida em 20 de fevereiro de 2026, a Downtown Music Holdings contribuiu com € 195 milhões para o faturamento da Universal no terceiro trimestre.
Desse valor, € 162 milhões foram contabilizados na divisão de música gravada e € 33 milhões na área de edição musical.
A aquisição ampliou a presença da Universal em serviços para artistas e gravadoras independentes, incluindo distribuição, administração de direitos e ferramentas de monetização.
A Downtown também acrescentou € 13 milhões ao EBITDA ajustado do trimestre.
Sua margem foi de 6,7%, inferior aos 22,4% registrados pelas demais atividades da Universal consideradas em conjunto.
Isso ajuda a explicar por que o crescimento da receita consolidada não foi acompanhado por uma expansão proporcional da margem de rentabilidade.
A empresa afirma que continua trabalhando na integração das operações e na obtenção de ganhos financeiros e estratégicos decorrentes da aquisição.
Vendas físicas sobem 17,4%
Os formatos físicos também contribuíram para o resultado da Universal.
A receita de CDs, discos de vinil e outros produtos físicos cresceu 17,4% em câmbio constante, chegando a € 392 milhões.
Segundo a gravadora, a expansão foi distribuída por diferentes regiões, especialmente América do Norte, Japão e Europa.
O crescimento incluiu tanto lançamentos recentes quanto títulos de catálogo, que continuam gerando vendas mesmo depois de seu período original de divulgação.
O resultado reforça a importância comercial dos produtos físicos em uma indústria dominada pelo streaming.
Embora representem uma parcela menor do faturamento total, esses formatos permanecem relevantes para artistas com comunidades de fãs interessadas em edições especiais, itens colecionáveis e versões alternativas de álbuns.
Em sentido contrário, downloads e outras receitas digitais recuaram 15,4% em câmbio constante, para € 33 milhões.
A queda reflete a substituição progressiva da compra de arquivos musicais pelo acesso a catálogos por assinatura.
Streaming com publicidade avança 13,5%
Além das assinaturas pagas, o streaming financiado por publicidade também apresentou crescimento.
A receita dessa modalidade chegou a € 387 milhões, avanço de 13,5% em câmbio constante.
Excluindo a Downtown, porém, a expansão foi de 4,7%.
Segundo a Universal, o resultado foi impulsionado pelo desempenho de parceiros de vídeo e plataformas digitais, além de melhorias nos valores recebidos por reprodução em determinados serviços.
A diferença entre as duas taxas demonstra novamente como a aquisição influenciou os resultados consolidados.
No conjunto, a divisão de música gravada faturou € 2,559 bilhões no trimestre, crescimento de 14,7% em câmbio constante.
Sem a Downtown, o avanço da divisão foi de 7,4%.
Olivia Rodrigo, Stray Kids e Beatles estão entre os destaques
A Universal também relacionou seu desempenho comercial aos lançamentos e catálogos de artistas de diferentes mercados e gerações.
Entre os nomes com maior desempenho de vendas no trimestre, a empresa destacou Mrs. Green Apple, Olivia Rodrigo, Stray Kids, Ariana Grande e The Beatles.
A seleção reúne artistas contemporâneos com forte presença nas plataformas digitais e um catálogo histórico que continua movimentando receitas.
O grupo japonês Mrs. Green Apple representa a importância do mercado asiático para o negócio musical da companhia.
Olivia Rodrigo, Ariana Grande e Stray Kids reforçam a contribuição de artistas com grandes audiências internacionais, enquanto os Beatles demonstram a capacidade de repertórios antigos de permanecer comercialmente relevantes.
A Universal não detalhou, no comunicado de resultados, quanto cada artista contribuiu individualmente para o faturamento trimestral.
Por isso, a relação não deve ser interpretada como um ranking financeiro entre esses nomes.
Edição musical cresce 7,5%
A divisão de edição musical, responsável por negócios ligados aos direitos das composições, registrou receita de € 590 milhões.
O crescimento foi de 7,5% em câmbio constante. Sem a Downtown, a expansão ficou em 1,5%.
A receita digital foi um dos principais fatores de crescimento, com avanço de 11,8% incluindo a empresa adquirida e de 3,9% sem sua contribuição.
Já a receita de sincronização, associada ao licenciamento de músicas para filmes, séries, publicidade e outras produções audiovisuais, permaneceu estável em câmbio constante.
Excluindo a Downtown, essa atividade recuou 4,7%.
Segundo a Universal, a redução esteve relacionada à menor atividade de produções cinematográficas e televisivas, parcialmente compensada por licenciamentos publicitários.
A rentabilidade da divisão também apresentou pressão.
O EBITDA ajustado de edição musical recuou 3,5% em câmbio constante. A margem, excluindo a Downtown, caiu 1,5 ponto percentual, para 24,2%.
Merchandising recua com calendário de turnês
A divisão de merchandising e outras atividades registrou receita de € 248 milhões, queda de 4,6% em câmbio constante.
A Universal atribuiu o recuo principalmente à comparação com o terceiro trimestre de 2025, que contou com um número maior de turnês de grande porte.
A venda de produtos associados a artistas em shows e eventos depende do calendário de apresentações, o que pode provocar oscilações relevantes entre diferentes períodos.
Segundo a companhia, o crescimento das vendas diretas ao consumidor compensou parcialmente a redução das receitas relacionadas às turnês.
A Universal também destacou a expansão de iniciativas de entrega de produtos aos consumidores após determinados eventos, ampliando as alternativas de comercialização de merchandising.
O EBITDA ajustado da divisão foi de € 11 milhões, com margem de 4,4%.
O que os resultados mostram sobre a estratégia da Universal?
O balanço do terceiro trimestre de 2026 indica crescimento nas principais atividades da Universal Music, mas também revela diferenças importantes entre a expansão das receitas e a evolução da rentabilidade.
As assinaturas continuam sendo o principal motor da música gravada, beneficiadas pelo crescimento do número de usuários pagantes e por mudanças nos acordos comerciais com plataformas digitais.
Ao mesmo tempo, a aquisição da Downtown elevou o faturamento consolidado e ampliou a presença da Universal em serviços para artistas independentes.
Esse crescimento adicional, porém, veio acompanhado de uma margem menor, reduzindo a rentabilidade consolidada do grupo.
Para Matt Ellis, diretor financeiro da Universal, o terceiro trimestre demonstrou progresso na aceleração das assinaturas e na expansão das margens das operações existentes.
A prioridade declarada pela administração é manter o crescimento, melhorar a eficiência e integrar as atividades adquiridas.
No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, a Universal registrou receita de € 9,588 bilhões, crescimento de 11,1% em câmbio constante, ou 5,5% sem a Downtown.
O desempenho reforça a diferença entre duas fontes de expansão: o avanço dos negócios já existentes e o faturamento incorporado por aquisições.
Para a Universal, o desafio dos próximos trimestres será transformar o aumento de escala em crescimento sustentável de receita e rentabilidade.
Fontes: Universal Music Group — resultados oficiais do terceiro trimestre de 2026; Music Business Worldwide — Universal Music Group generated $3.90B in Q3; Reuters — Universal Music Q3 subscription revenue growth tops expectations.


