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domingo, 8 nov 2026
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Creators sem posição eleitoral têm queda de 20,8% no engajamento

Estudo da YOUPIX mostra alta entre influenciadores que declararam voto, mas número de seguidores permaneceu praticamente estável

Por 4 nov 2026 · 9 min de leitura

Creators sem posição eleitoral têm queda de 20,8% no engajamento
foto: reprodução

Criadores de conteúdo que não declararam voto no segundo turno das eleições de 2026 registraram queda mediana de 20,8% no engajamento por publicação no Instagram. Já os perfis que manifestaram apoio a um dos dois candidatos apresentaram crescimento, segundo levantamento publicado pela YOUPIX em 1º de novembro.

A pesquisa acompanhou 126 criadores, divididos em três grupos de 42: apoiadores declarados de Lula, apoiadores declarados de Flávio Bolsonaro e perfis sem manifestação pública de preferência eleitoral.

Na análise de engajamento, que reuniu 107 desses perfis, a variação mediana foi positiva em 71,8% no grupo que declarou voto em Lula e em 14,8% entre os apoiadores declarados de Flávio Bolsonaro.

Apesar das diferenças no engajamento, o número de seguidores permaneceu praticamente estável nos três grupos.

Os resultados indicam uma associação entre posicionamento eleitoral e desempenho das publicações, mas não demonstram que a declaração de voto tenha causado diretamente o crescimento das interações.

Criadores sem posicionamento registram queda de 20,8%

O levantamento comparou dois períodos: de 1º de setembro a 3 de outubro, antes da campanha do segundo turno, e de 4 a 25 de outubro, durante a disputa eleitoral.

Para medir o engajamento, a YOUPIX considerou publicações e reels do feed do Instagram.

Foram incluídos somente os perfis que publicaram pelo menos três conteúdos em cada período e apresentaram média mínima de mil interações por publicação na etapa anterior à campanha.

Dos 126 criadores acompanhados, 107 atenderam a esses critérios.

O resultado foi uma diferença entre os três grupos.

Posicionamento declarado Variação mediana do engajamento por publicação Perfis com aumento
Voto em Lula +71,8% 26 de 36
Voto em Flávio Bolsonaro +14,8% 19 de 33
Sem posicionamento −20,8% 11 de 38

Fonte: YOUPIX/Primetag. Comparação entre os períodos de 1º de setembro a 3 de outubro e de 4 a 25 de outubro de 2026.

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Entre os 107 perfis elegíveis, a mediana do engajamento aumentou nos dois grupos que declararam voto e diminuiu entre os que não se posicionaram. Fonte: YOUPIX/Primetag.

Entre os 38 criadores sem manifestação eleitoral que atenderam aos critérios, 27 registraram redução no engajamento.

Isso corresponde a aproximadamente 71% do grupo.

Nos dois conjuntos de criadores que declararam voto, mais da metade dos perfis apresentou crescimento.

A comparação, porém, não demonstra que todos os conteúdos políticos tiveram desempenho superior aos demais.

Ela mede a variação do engajamento médio de cada perfil entre os dois períodos, considerando o conjunto das publicações incluídas no estudo.

O que significa a variação mediana?

A YOUPIX utilizou a mediana das variações individuais para comparar os grupos.

Isso significa que o levantamento não somou todas as interações de um grupo para calcular uma taxa geral de crescimento.

Primeiro, foi medida a mudança no engajamento médio por publicação de cada criador. Depois, a mediana dessas variações foi utilizada para representar o comportamento central do grupo.

A escolha reduz a influência de resultados extremos, como um vídeo que viraliza e alcança milhões de interações.

Por isso, uma alta mediana de 71,8% não significa que cada publicação dos apoiadores de Lula tenha recebido 71,8% mais interações.

Da mesma forma, a queda de 20,8% entre os criadores sem posicionamento não representa uma perda uniforme de audiência.

Os percentuais descrevem o comportamento central de grupos específicos, dentro de um intervalo delimitado.

Seguidores quase não mudaram durante a eleição

A diferença observada no engajamento não apareceu na mesma intensidade na quantidade de seguidores.

Segundo a YOUPIX, a variação mediana da base de seguidores entre setembro e outubro foi de 0,30% para os criadores que declararam voto em Lula.

Entre aqueles que manifestaram apoio a Flávio Bolsonaro, o crescimento mediano foi de 0,17%.

No grupo sem posicionamento, houve redução mediana de 0,03%.

Posicionamento declarado Variação mediana de seguidores
Voto em Lula +0,30%
Voto em Flávio Bolsonaro +0,17%
Sem posicionamento −0,03%

Fonte: YOUPIX/Primetag. Comparação das bases de seguidores entre setembro e outubro de 2026.

As mudanças foram pequenas nos três grupos.

Entre os criadores que declararam voto, 24% registraram crescimento superior a 3% na base de seguidores. No grupo que não se posicionou, a proporção foi de 17%.

Perdas acentuadas também foram raras.

Somente dois dos 126 perfis acompanhados perderam mais de 3% dos seguidores durante o período analisado.

O resultado sugere que a mobilização em torno das publicações não se traduziu necessariamente em expansão ou retração expressiva das comunidades.

Isso importa porque engajamento e quantidade de seguidores medem fenômenos diferentes.

Um perfil pode receber mais comentários, curtidas e compartilhamentos durante uma campanha eleitoral sem conquistar proporcionalmente mais seguidores.

Posicionamento político não garante crescimento de audiência

A estabilidade das bases de seguidores contrasta com a variação das interações.

Nos grupos que declararam voto, o desempenho mediano das publicações aumentou. Entre os perfis sem posicionamento, houve redução.

Entretanto, o estudo não permite concluir que declarar uma preferência eleitoral seja uma estratégia universalmente vantajosa para criadores.

Os grupos não foram formados por sorteio de posicionamento político. A decisão de se manifestar ou não já fazia parte do comportamento dos próprios participantes.

Isso significa que outras características podem ter influenciado os resultados, como perfil da audiência, temas abordados, frequência de publicação, formato dos conteúdos e mobilização de comunidades.

Também não há informação suficiente para distinguir quanto do crescimento ocorreu em publicações especificamente eleitorais e quanto resultou de outros conteúdos publicados durante a campanha.

Por isso, o resultado deve ser lido como uma diferença observada entre grupos, não como prova de uma relação direta de causa e efeito.

Mobilização organizada pode influenciar as interações

A YOUPIX também discutiu o papel de redes de mobilização digital durante a campanha eleitoral.

No grupo de criadores que declararam voto em Lula, a publicação relaciona parte do crescimento a iniciativas de organização de apoiadores em canais de mensagens.

Como exemplo, menciona o canal de WhatsApp denominado "Exército do Lula", cuja expansão foi noticiada pelo Poder360 durante outubro.

O estudo considera que o aumento expressivo das interações, sem crescimento proporcional da base de seguidores, é compatível com um padrão de mobilização organizada.

Essa interpretação é uma hipótese explicativa, não uma medição direta da origem de cada curtida, comentário ou compartilhamento.

O levantamento não demonstra que as interações adicionais tenham vindo especificamente de participantes do canal.

Também não estabelece que o crescimento do grupo decorra exclusivamente de campanhas coordenadas.

O engajamento pode ser influenciado simultaneamente por mobilização política, interesse do público, distribuição algorítmica e conteúdo das publicações.

O silêncio teve um custo para os criadores?

A pesquisa da YOUPIX questiona a ideia de que evitar posicionamentos políticos seja sempre a alternativa de menor risco para influenciadores.

Na amostra analisada, o grupo sem declaração de voto apresentou resultado mediano inferior aos grupos que se manifestaram.

Mas chamar essa diferença de "custo do silêncio" exige uma ressalva.

O estudo não demonstra que esses criadores teriam alcançado mais interações caso tivessem declarado voto.

Também não mede os possíveis custos de um posicionamento público, como perda de contratos, conflitos com anunciantes, ataques digitais ou consequências para a reputação.

O resultado aponta uma diferença de desempenho observada durante um período eleitoral de grande mobilização.

Não estabelece que se posicionar seja comercialmente mais vantajoso em todas as circunstâncias.

O que muda para marcas e agências?

Para anunciantes, os dados mostram que o engajamento de um criador pode variar bastante em períodos de forte debate público, mesmo quando sua comunidade de seguidores permanece praticamente estável.

Isso torna importante distinguir picos ocasionais de interação de resultados sustentados ao longo do tempo.

Uma campanha eleitoral pode mobilizar comentários e compartilhamentos por razões diferentes daquelas que levam consumidores a demonstrar interesse por produtos ou serviços.

Portanto, aumentos expressivos de engajamento não significam automaticamente maior retorno comercial.

Ao avaliar parcerias, marcas e agências também precisam considerar a compatibilidade entre os valores públicos dos criadores, o perfil de suas comunidades e os objetivos de comunicação.

Da mesma forma, a ausência de posicionamento político não pode ser tratada isoladamente como evidência de baixo desempenho profissional.

O levantamento não analisou vendas, conversões, faturamento publicitário ou retorno sobre investimento dos participantes.

O que o estudo da YOUPIX permite concluir?

A principal constatação da pesquisa é que os grupos apresentaram comportamentos diferentes durante o segundo turno de 2026.

Entre os criadores que declararam voto, a maioria dos perfis elegíveis registrou aumento no engajamento médio por publicação.

No grupo sem posicionamento, a maioria apresentou queda.

Ao mesmo tempo, a quantidade de seguidores quase não mudou nos três conjuntos.

O resultado evidencia que manifestações políticas podem coincidir com alterações importantes na intensidade das interações, sem provocar mudanças equivalentes no tamanho das comunidades.

A pesquisa, porém, não determina se o posicionamento foi responsável por essas alterações.

Para investigar causalidade, seria necessário controlar outros fatores e desenvolver uma metodologia capaz de separar o efeito da manifestação eleitoral das características prévias dos perfis e dos conteúdos publicados.

Metodologia da pesquisa

O levantamento foi conduzido pela YOUPIX, com dados de seguidores e engajamento fornecidos pela Primetag.

A amostra reuniu 126 criadores do Instagram, divididos em três grupos de 42 perfis, com composição equivalente por faixas de tamanho de audiência.

Os grupos foram definidos conforme a declaração pública de voto em Lula, a declaração pública de voto em Flávio Bolsonaro ou a ausência de manifestação eleitoral identificada no estudo.

Para a análise de engajamento, foram comparados os períodos de 1º de setembro a 3 de outubro e de 4 a 25 de outubro de 2026.

Somente publicações e reels do feed foram considerados. Stories ficaram fora dessa métrica.

Também foram excluídos perfis com menos de três publicações em qualquer um dos períodos ou média inferior a mil interações por publicação na etapa anterior.

Com esses critérios, a amostra de engajamento ficou em 107 perfis: 36 no grupo de Lula, 33 no de Flávio Bolsonaro e 38 no grupo sem posicionamento.

A YOUPIX utilizou a mediana das variações individuais e informou ter realizado mil sorteios alternativos dentro das faixas de tamanho, preservando a direção dos resultados.

Os dados de seguidores foram analisados para o conjunto de 126 criadores, com coleta em 28 de outubro.

O estudo é observacional e não estabelece relações causais entre posicionamento político e desempenho das publicações.

Fonte: YOUPIX — Pessoal, urgente! O efeito do posicionamento político nos números dos creators, estudo de Rafa Lotto, publicado em 1º de novembro de 2026, com dados da Primetag.


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