Disney desenvolve 40 filmes brasileiros e amplia parceria com Globo
Acordo prevê estreia nos cinemas e chegada simultânea ao Disney+ e Globoplay; empresa combina capital próprio e financiamento público
Por Zé Elias Mendes1 nov 2026 · 9 min de leitura

A Disney tem aproximadamente 40 projetos de filmes brasileiros em diferentes estágios de desenvolvimento e produção. O número foi revelado por Bruno Bluwol, diretor de produções locais da The Walt Disney Company Brasil, durante entrevistas concedidas à imprensa na semana de lançamento de 100 Dias, de Carlos Saldanha.
O catálogo em preparação inclui adaptações literárias, comédias, dramas, animações e continuações de franquias conhecidas. Parte dos projetos já tem estreia programada para 2027, enquanto outros ainda estão em fases iniciais de desenvolvimento.
A expansão também envolve uma parceria de coprodução com o Globoplay, na qual a Disney participa da distribuição cinematográfica e os filmes passam a integrar os catálogos das duas plataformas de streaming depois de sua passagem pelas salas.
Disney tem 40 projetos brasileiros em desenvolvimento
Segundo Bluwol, a companhia vem ampliando sua atuação na produção e distribuição de conteúdo nacional.
A carteira atual reúne cerca de 40 projetos em diferentes fases, desde o desenvolvimento de roteiros até produções mais próximas de chegar aos cinemas.
O executivo explicou que a estratégia não está concentrada em um único gênero ou público.
A empresa procura equilibrar franquias reconhecidas, adaptações de obras literárias e teatrais, histórias inspiradas em acontecimentos reais e produções originais.
Essa diversidade também permite distribuir os lançamentos ao longo do calendário, evitando a concentração de filmes brasileiros em poucos períodos do ano.
O número de projetos, entretanto, não deve ser interpretado como uma previsão de 40 estreias.
Na indústria cinematográfica, uma produção pode permanecer em desenvolvimento durante anos, sofrer mudanças de financiamento ou calendário e até deixar de avançar para as filmagens.
A Disney não divulgou uma relação completa dos títulos nem o orçamento consolidado dessa carteira.
Quais filmes brasileiros da Disney estreiam em 2027?
A companhia apresentou quatro produções nacionais com datas previstas para 2027.
| Filme | Estreia prevista | Direção |
|---|---|---|
| Nosso Lar 3: Vida Eterna | 21 de janeiro | Wagner de Assis |
| Na Linha de Fogo | 15 de abril | Afonso Poyart |
| A Grande Virada | 29 de julho | Halder Gomes |
| No Jardim do Ogro | 28 de outubro | Carolina Jabor |
Fonte: programação apresentada pela Disney à imprensa em outubro de 2026. Datas sujeitas a alterações.
A seleção combina uma franquia espiritualista de público consolidado, uma produção de ação, uma comédia e um drama baseado em obra literária.
Em entrevista ao ArrobaNerd, Bluwol explicou que a escolha das datas considera o perfil de cada filme, a concorrência com outros lançamentos, os feriados e o calendário de produção.
A Disney também tem outros projetos nacionais em desenvolvimento, como uma nova animação de Os Saltimbancos, dirigida por Carlos Saldanha, e Encontrada, sequência de Perdida.
Esses títulos integram a estratégia de longo prazo da companhia, mas não devem ser confundidos com as quatro estreias já datadas.
Parceria com Globoplay começa a chegar aos cinemas em 2027
Um dos movimentos mais relevantes da Disney no cinema brasileiro é seu acordo de coprodução com o Globoplay.
Os dois primeiros longas previstos nessa parceria são Na Linha de Fogo, dirigido por Afonso Poyart, e No Jardim do Ogro, de Carolina Jabor.
A primeira produção é realizada pela AfroReggae e aborda a violência e a disputa pelo controle territorial em comunidades do Rio de Janeiro.
Já No Jardim do Ogro, produzido pela Conspiração e estrelado por Alice Braga, adapta o romance Dans le jardin de l'ogre, da escritora Leïla Slimani.
O acordo estabelece uma divisão de responsabilidades entre as empresas.
A Disney fica responsável pela distribuição cinematográfica, enquanto a Globo participa com apoio de mídia e marketing. Os projetos também envolvem produtoras independentes brasileiras.
Depois da exibição nos cinemas, os filmes chegarão ao Disney+ e ao Globoplay na mesma data.
A estratégia representa uma forma de combinar o alcance de duas plataformas de streaming com a exploração comercial inicial das salas de cinema.
As empresas não divulgaram os valores investidos, nem a proporção financeira da participação de cada parceira.
Cinema continua sendo a primeira janela da Disney
Apesar de operar uma plataforma de streaming própria, a Disney mantém a estreia cinematográfica como prioridade para seus longas brasileiros.
Bluwol explicou que os projetos são concebidos para as salas de exibição desde as primeiras etapas de desenvolvimento.
Essa decisão influencia aspectos como roteiro, fotografia, elenco, efeitos visuais e planejamento de lançamento.
O executivo também destacou que a duração da janela entre a estreia nos cinemas e a disponibilização em streaming não é necessariamente fixa.
Quando um filme apresenta bom desempenho comercial, a Disney pode ampliar o tempo de permanência nas salas antes de sua chegada às plataformas digitais.
Segundo Bluwol, isso aconteceu com Nosso Lar 2: Os Mensageiros, cuja trajetória cinematográfica justificou uma janela mais longa.
A estratégia procura aproveitar diferentes oportunidades de receita ao longo da vida comercial de cada produção.
A bilheteria é a primeira etapa, mas não representa obrigatoriamente o resultado financeiro completo de um filme.
Bilheteria não é a única fonte de receita
A Disney avalia o desempenho comercial dos filmes considerando diferentes fatores, incluindo orçamento de produção, despesas de lançamento e receitas obtidas em outras janelas de distribuição.
Essas despesas de lançamento incluem o chamado P&A, sigla em inglês para prints and advertising, utilizada na indústria para designar gastos associados à distribuição e à divulgação de uma obra.
O resultado de bilheteria precisa ser analisado em relação a esses custos e às expectativas comerciais de cada projeto.
Isso significa que dois filmes com o mesmo público podem apresentar desempenhos financeiros diferentes, dependendo dos valores investidos.
Em entrevista ao Filme B, Bluwol citou Se Eu Fosse Você 3, que se aproximava dos 300 mil espectadores, para explicar que o sucesso comercial não deve ser medido exclusivamente pelo total de ingressos vendidos.
Além da bilheteria brasileira, a companhia considera receitas provenientes de vendas internacionais e da disponibilização posterior em plataformas de streaming.
O executivo afirmou que a Disney tem conseguido equilibrar essas diferentes fontes de receita na maior parte de seus projetos.
A empresa, porém, não divulgou os balanços individuais dos filmes mencionados.
Disney combina investimento próprio e recursos de fomento
O volume de produções brasileiras também exige diferentes estruturas de financiamento.
Segundo Bluwol, a Disney não utiliza um modelo único para viabilizar seus longas nacionais.
Em determinados projetos, a companhia pode financiar integralmente a produção. Em outros, especialmente os de orçamento mais elevado, o investimento depende da combinação de diferentes fontes.
Entre os mecanismos mencionados estão recursos próprios e o artigo 3º da Lei do Audiovisual, que permite a aplicação de recursos em produções brasileiras independentes mediante condições previstas na legislação.
Produtoras parceiras também podem buscar financiamento por meio de instrumentos como o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), RioFilme, Spcine e o Programa de Ação Cultural (ProAC), de São Paulo.
A presença dessas fontes não significa que todos os projetos da Disney recebam recursos públicos.
O financiamento varia conforme o orçamento, a estrutura de coprodução e as condições de cada obra.
Bluwol não apresentou o montante total investido na carteira de aproximadamente 40 projetos.
100 Dias representa a aposta em histórias brasileiras
Lançado em 29 de outubro, 100 Dias é um dos exemplos da estratégia de valorização de histórias nacionais.
Dirigido por Carlos Saldanha, conhecido internacionalmente por animações como A Era do Gelo e Rio, o longa é inspirado no livro Cem Dias Entre Céu e Mar, de Amyr Klink.
A produção acompanha a travessia solitária do Atlântico Sul realizada pelo navegador brasileiro em 1984.
Filipe Bragança interpreta Klink na fase adulta, em uma produção que exigiu planejamento de filmagens marítimas e efeitos visuais.
Segundo Bluwol, a Disney participa do desenvolvimento do projeto desde 2020.
O executivo explicou que a companhia procura histórias brasileiras capazes de despertar identificação e preservar acontecimentos relevantes da memória cultural do país.
A estratégia também apareceu em produções anteriores, como o filme biográfico sobre Mauricio de Sousa.
Para a Disney, histórias reconhecidas pelo público podem facilitar a conexão inicial com os espectadores, embora isso não elimine os desafios de distribuição e divulgação.
Nosso Lar 3 será uma das principais apostas de 2027
O próximo longa brasileiro da Disney com estreia programada é Nosso Lar 3: Vida Eterna, previsto para 21 de janeiro de 2027.
Dirigido por Wagner de Assis e produzido pela Cinética Filmes, o filme dá continuidade à franquia inspirada no universo literário de Chico Xavier.
A decisão de lançar o terceiro título em janeiro acompanha a estratégia adotada com Nosso Lar 2: Os Mensageiros, que chegou aos cinemas em 2024.
Segundo os dados mencionados por Bluwol, o segundo filme atraiu cerca de 550 mil espectadores no primeiro fim de semana e encerrou sua trajetória cinematográfica com aproximadamente 1,7 milhão de ingressos vendidos.
A Disney considera que o período de férias favorece o comparecimento de grupos de espectadores, característica relevante para uma franquia com público fiel.
A empresa também destaca os investimentos em efeitos visuais do novo longa.
O resultado anterior, entretanto, não garante que a sequência repetirá o mesmo desempenho comercial.
A companhia aposta na força da marca e na identificação dos espectadores para sustentar a estreia.
Disney busca espaço para filmes nacionais em calendário de franquias globais
O planejamento de 2027 terá que conciliar a produção brasileira com grandes lançamentos internacionais da Disney e de outros estúdios.
A companhia trabalha com franquias de alcance mundial, incluindo produções da Marvel, de Star Wars e da Disney Animation, além de seus títulos nacionais.
Para Bluwol, a escolha das datas precisa considerar não apenas a concorrência, mas também o momento mais adequado para cada tipo de filme.
A comédia A Grande Virada, por exemplo, foi posicionada para julho, durante as férias escolares.
Já No Jardim do Ogro tem estreia prevista para outubro, depois de uma trajetória planejada em festivais de cinema.
A proposta é evitar que todos os longas nacionais dependam dos mesmos períodos de maior movimento.
A programação também demonstra que a Disney pretende trabalhar com diferentes perfis de audiência, em vez de concentrar suas apostas exclusivamente em franquias familiares.
O que os 40 projetos revelam sobre a estratégia da Disney?
A carteira de aproximadamente 40 filmes brasileiros demonstra uma ampliação da presença da Disney na produção local, mas também exige uma leitura cuidadosa de seu significado comercial.
O número representa uma combinação de projetos em desenvolvimento, produções em andamento e filmes próximos do lançamento.
Nem todos possuem datas confirmadas, orçamentos divulgados ou garantia de chegar às salas.
O acordo com o Globoplay acrescenta outra dimensão à estratégia, combinando distribuição cinematográfica, coprodução e exploração posterior de conteúdo em streaming.
Ao mesmo tempo, a diversidade de financiamento permite à Disney trabalhar com produções de escalas diferentes, sem depender de um único modelo de investimento.
A companhia procura, assim, construir uma programação nacional contínua, apoiada em histórias locais, franquias reconhecidas e parcerias com produtoras independentes.
O desafio será transformar essa carteira de projetos em lançamentos capazes de conquistar público e gerar receitas ao longo de diferentes janelas de distribuição.
Fontes: Filme B — Disney tem 40 filmes brasileiros em produção, diz Bruno Bluwol; Exame — Disney tem 40 filmes brasileiros em desenvolvimento; ArrobaNerd — Disney apresenta filmes nacionais para 2027; Portal Exibidor — Disney detalha estratégia para filmes nacionais.


