Disney prepara milhares de demissões e mira corte de 20% nos custos
Economia pode financiar novos investimentos em filmes, séries, tecnologia e parques temáticos
Por Redação4 nov 2026 · 4 min de leitura

A Disney prepara uma nova rodada de demissões que poderá atingir milhares de funcionários, segundo reportagem da Bloomberg News publicada em 2 de novembro. Alguns gestores receberam a orientação de buscar uma economia anual de 20% em suas operações, combinando possíveis cortes de pessoal com a redução de outras despesas.
A medida faz parte da reorganização conduzida pelo CEO Josh D'Amaro, que assumiu o comando da companhia em março. De acordo com pessoas familiarizadas com as discussões, algumas divisões devem ser afetadas de maneira mais intensa do que outras, mas ainda não há uma relação oficial das áreas ou do número de vagas que serão eliminadas.
Procurada pela Bloomberg, a Disney não comentou as informações.
Meta de 20% não se aplica necessariamente à Disney inteira
A redução de custos relatada pela Bloomberg foi apresentada a determinados gestores e considera a economia em base anual.
Isso significa que a meta não representa, necessariamente, um corte de 20% nas despesas totais da Disney. Tampouco equivale à eliminação de 20% dos empregos.
A economia poderá resultar de diferentes medidas, incluindo desligamentos e revisão de gastos operacionais.
Segundo as fontes ouvidas pela Bloomberg, D'Amaro pretende direcionar parte dos recursos liberados para produções de cinema e televisão, tecnologia, parques temáticos e cruzeiros.
A estratégia combina diminuição de despesas em algumas atividades com investimentos considerados prioritários pela administração.
Disney já havia sinalizado novos cortes em agosto
A possibilidade de novas reduções vinha sendo mencionada pela empresa desde o balanço do trimestre encerrado em junho.
Em carta aos acionistas divulgada em 5 de agosto, Josh D'Amaro e o diretor financeiro Hugh Johnston afirmaram que a Disney avaliava medidas para reduzir custos e ampliar a capacidade de investimento.
Entre as alternativas citadas estavam a diminuição de despesas com pessoal e de gastos gerais, administrativos e comerciais.
Na ocasião, a companhia informou que o processo de avaliação ainda estava em andamento e que apresentaria atualizações posteriormente.
A nova reportagem acrescenta uma estimativa de dimensão: os cortes de pessoal em discussão podem atingir milhares de trabalhadores.
Demissões atingiram marketing, Pixar, ESPN e tecnologia em 2026
A Disney já realizou diferentes rodadas de desligamentos ao longo de 2026.
Em abril, aproximadamente mil vagas foram eliminadas em uma reorganização que envolveu principalmente áreas de marketing, além de equipes de cinema, televisão, ESPN, produtos, tecnologia e funções corporativas.
O movimento acompanhou a criação de uma estrutura unificada de marketing liderada por Asad Ayaz, diretor de marketing e marca da companhia.
Em julho, outras centenas de funcionários foram afetados por cortes em setores corporativos, na Pixar, na ESPN, na Disney Entertainment Television e nos estúdios.
No fim de setembro, uma nova leva atingiu principalmente equipes de recursos humanos e tecnologia da informação.
A empresa também ofereceu, em agosto, pacotes de aposentadoria antecipada para determinados executivos veteranos nos Estados Unidos.
A dimensão da rodada agora planejada pode superar a dos movimentos anteriores do ano, segundo a cobertura da Variety.
Reestruturação também alcança a televisão
Além das demissões já realizadas, a Disney avalia mudanças na organização de suas operações televisivas.
Em outubro, o The Wall Street Journal informou que a companhia preparava uma reestruturação capaz de reunir divisões e eliminar centenas de postos de trabalho.
O projeto ocorre em um momento de transformação do negócio de televisão, pressionado pelo declínio das operações tradicionais de canais pagos e pela necessidade de ampliar a rentabilidade do streaming.
Durante o evento Bloomberg Screentime, Dana Walden, presidente e diretora criativa da Disney, defendeu a avaliação permanente da estrutura organizacional da empresa diante das mudanças tecnológicas e da concorrência.
A possível nova rodada de desligamentos se insere nesse processo mais amplo, embora a companhia ainda não tenha apresentado um plano detalhado ao público.
Disney tinha 231 mil funcionários em 2025
No encerramento do ano fiscal de 2025, a Disney empregava aproximadamente 231 mil pessoas em todo o mundo.
Esse número oferece uma referência para a dimensão do grupo, mas não permite calcular o impacto percentual das demissões ainda em estudo, porque não há uma estimativa oficial de vagas afetadas.
O histórico recente também inclui uma grande reestruturação realizada em 2023, durante a gestão de Bob Iger, quando a companhia anunciou a eliminação de aproximadamente 7 mil empregos como parte de um plano de redução de custos.
O movimento de 2026 ocorre sob nova liderança e envolve tanto reorganização de equipes quanto revisão de despesas operacionais.
Próximo balanço está marcado para 17 de novembro
A Disney divulgará os resultados do quarto trimestre e do ano fiscal de 2026 em 17 de novembro, antes da abertura do mercado americano.
A administração também realizará uma apresentação aos investidores no mesmo dia.
O balanço poderá trazer novos detalhes sobre a estratégia de redução de custos e investimentos, mas ainda não há confirmação de que a companhia divulgará nessa ocasião o número de trabalhadores afetados pela possível rodada de demissões.
Até o momento, a dimensão dos desligamentos e a meta de economia de 20% permanecem informações atribuídas à apuração da Bloomberg, sem confirmação oficial da Disney.
Fontes: Bloomberg News — Disney Eyes Thousands of Layoffs, With Managers Asked to Cut 20%; Variety — Disney Expected to Lay Off Thousands of Staffers; Variety — Disney Makes More Job Cuts; Disney — anúncio da divulgação de resultados em 17 de novembro.


