Lupin lidera Netflix no Brasil, mas estreia 45% abaixo de 2023
O ladrão voltou ao topo, mas os primeiros números revelam um desafio: repetir a audiência da temporada anterior
Por Zé Elias Mendes29 out 2026 · 7 min de leitura

Lupin voltou ao primeiro lugar entre as séries mais assistidas da Netflix no Brasil, mas sua estreia mundial ficou abaixo do desempenho registrado pela produção em 2023. A Parte 4 da série francesa, protagonizada por Omar Sy, somou 6,4 milhões de visualizações globais entre 19 e 25 de outubro de 2026, contra 11,6 milhões na primeira semana da Parte 3, uma diferença de aproximadamente 45%.
O levantamento do Cultz, baseado nos dados oficiais do Netflix Top 10, também revela uma redução no alcance geográfico: a nova parte apareceu entre as dez séries mais assistidas de 75 países e territórios, contra 91 na estreia anterior. O número de mercados em que Lupin chegou à liderança caiu de 46 para 22.
A comparação, porém, exige uma ressalva. A Parte 4 foi lançada na sexta-feira (23) e teve três dias de disponibilidade contabilizados na primeira semana. Já a Parte 3 estreou numa quinta-feira, em 5 de outubro de 2023, e teve quatro dias. Portanto, a diferença nos números não representa, isoladamente, uma queda equivalente na procura diária pela série.
Lupin lidera no Brasil e entre as séries internacionais
Na semana de 19 a 25 de outubro, Lupin: Parte 4 estreou em primeiro lugar no ranking brasileiro de séries da Netflix, superando Bento e Totó e a minissérie Profundezas.
A chegada dos novos episódios também impulsionou o interesse pelas temporadas anteriores. Lupin: Parte 1 retornou ao top 10 brasileiro na sétima posição.
Mundialmente, a Parte 4 liderou a categoria de séries em língua não inglesa, com 6,4 milhões de visualizações e 38,1 milhões de horas assistidas.
A primeira parte da produção também voltou ao ranking mundial, alcançando o décimo lugar com 2,1 milhões de visualizações e 8,4 milhões de horas.
Os números confirmam a capacidade da franquia de mobilizar tanto espectadores dos novos episódios quanto pessoas interessadas em acompanhar ou rever sua história desde o começo.
Estreia registra 45% menos visualizações que em 2023
A diferença entre os dois lançamentos aparece nos indicadores globais da Netflix.
Na semana de 2 a 8 de outubro de 2023, a Parte 3 estreou com 11,6 milhões de visualizações e 63,9 milhões de horas assistidas. Na primeira semana da Parte 4, em outubro de 2026, foram 6,4 milhões de visualizações e 38,1 milhões de horas.
| Indicador | Parte 3 (2023) | Parte 4 (2026) |
|---|---|---|
| Visualizações globais | 11,6 milhões | 6,4 milhões |
| Horas assistidas | 63,9 milhões | 38,1 milhões |
| Países e territórios no top 10 | 91 | 75 |
| Países e territórios em 1º lugar | 46 | 22 |
| Dias disponíveis na primeira semana | 4 | 3 |
Fonte: levantamento do Cultz a partir dos dados oficiais do Netflix Top 10. Os períodos de estreia possuem durações diferentes.
A nova parte registrou aproximadamente 44,8% menos visualizações e 40,4% menos horas assistidas em comparação com a primeira semana da Parte 3.
Os indicadores de visualizações e horas assistidas não são equivalentes. A Netflix calcula as visualizações dividindo o total de horas consumidas pela duração da produção, de modo que temporadas de extensões diferentes podem apresentar variações distintas nas duas métricas.
Também é importante considerar a diferença de calendário. Como a Parte 4 teve um dia a menos de disponibilidade, não é possível atribuir toda a redução registrada à perda de interesse do público.
Em 2023, a Parte 3 ainda cresceu na segunda semana, alcançando 14,1 milhões de visualizações e 77,9 milhões de horas assistidas. A evolução da nova parte nas próximas atualizações ajudará a dimensionar melhor a diferença entre os lançamentos.
Série perde alcance em mercados importantes
Além dos números globais, o levantamento identificou diferenças na distribuição geográfica da audiência.
Na estreia da Parte 3, Lupin apareceu entre as dez séries mais assistidas de 91 dos 93 países e territórios considerados na análise, liderando em 46 deles.
Em 2026, a Parte 4 entrou no top 10 de 75 mercados e alcançou o primeiro lugar em 22.
Entre os países onde a série não apareceu na lista de dez mais assistidas da semana de estreia estão Estados Unidos, Reino Unido, México, Japão, Índia, Coreia do Sul, Austrália e Indonésia.
Essa ausência não significa que a produção não tenha sido assistida nesses territórios. Significa apenas que seu desempenho não foi suficiente para alcançar as dez primeiras posições locais durante o período analisado.
O alcance territorial é um indicador diferente do volume global de visualizações. Os rankings nacionais mostram a posição relativa da série em cada mercado, mas não divulgam necessariamente quantas reproduções foram realizadas em cada país.
Brasil é o único país sul-americano com Lupin em primeiro lugar
Na América do Sul, o Brasil foi o único país a colocar a Parte 4 na liderança do ranking semanal.
O resultado contrasta com a estreia da Parte 3, que havia alcançado o primeiro lugar em Argentina, Brasil, Colômbia, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
Em 2026, a Colômbia colocou a nova parte em segundo lugar, enquanto Argentina e Uruguai registraram a terceira posição. Paraguai e Venezuela ficaram em sexto, Chile e Equador em oitavo e Peru em nono.
A Bolívia, que havia colocado a Parte 3 em terceiro lugar na estreia de 2023, não registrou a Parte 4 entre suas dez séries mais assistidas.
Fora da América do Sul, o México também apresentou uma mudança expressiva: a Parte 3 havia estreado na liderança do país, enquanto a Parte 4 ficou fora do top 10 mexicano na primeira semana.
As diferenças sugerem uma recepção inicial menos uniforme na América Latina. Ainda assim, a posição brasileira mostra que Lupin preserva uma presença competitiva em um dos principais mercados de streaming da região.
Europa concentra a maior parte das lideranças
Dos 22 países e territórios em que Lupin: Parte 4 alcançou o primeiro lugar, 15 estão na Europa.
Entre eles aparecem França, Bélgica, Suíça, Luxemburgo, Alemanha, Áustria, Itália, Portugal, Holanda, Grécia, Hungria, Chipre, República Tcheca, Eslováquia e Sérvia.
As outras lideranças ocorreram em Marrocos, Líbano, Maurício, Guadalupe, Quênia, República Dominicana e Brasil.
A concentração europeia evidencia diferenças no desempenho da série entre regiões. Porém, como os rankings locais não informam diretamente o número de visualizações por território, não é possível calcular a parcela da audiência global proveniente da Europa apenas com esses dados.
Próximas semanas serão decisivas para a comparação
A Parte 4 chegou à Netflix em 23 de outubro de 2026, com oito episódios disponibilizados simultaneamente. A primeira atualização de audiência inclui apenas os três dias seguintes ao lançamento.
A Parte 3 teve uma trajetória inicial diferente: depois dos 11,6 milhões de visualizações na primeira semana de 2023, cresceu para 14,1 milhões na segunda.
Por isso, o próximo resultado mundial da Parte 4 será importante para avaliar se a nova leva de episódios ganhará impulso após a estreia ou manterá uma trajetória de consumo inferior à registrada anteriormente.
O levantamento mostra uma redução nos números iniciais e na presença territorial de Lupin, mas ainda não permite concluir qual será o desempenho acumulado da Parte 4.
No Brasil, pelo menos, a série preservou sua principal conquista: estreou em primeiro lugar nas duas ocasiões.
Metodologia
O Cultz comparou os dados oficiais do Netflix Top 10 referentes à estreia de Lupin: Parte 4, na semana de 19 a 25 de outubro de 2026, com a primeira semana da Parte 3, de 2 a 8 de outubro de 2023.
Foram utilizados os rankings globais de séries em língua não inglesa e os rankings nacionais de 93 países e territórios. A Rússia, que aparece na relação de mercados com dados desatualizados, foi excluída.
Os números de visualizações globais correspondem à métrica oficial da Netflix, obtida pela divisão das horas assistidas pela duração total de cada produção.
A comparação registra os resultados publicados para cada semana de estreia, sem ajuste para o número diferente de dias de disponibilidade: três em 2026 e quatro em 2023.
Os dados foram acessados em 28 de outubro de 2026. Posições nacionais, números de visualizações e horas assistidas representam os recortes informados pela plataforma e podem evoluir nas semanas seguintes.
Fontes: Netflix Top 10 — séries em língua não inglesa; Netflix Top 10 — Brasil; arquivo histórico global da Netflix; arquivo histórico por país. Levantamento e análise: Cultz.


